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    Matéria sobre o Lekotek no programa Amor sem Limites

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    A importância do brincar para o desenvolvimento da criança.

    "É possivel descobrir mais sobre uma pessoa numa hora de brincadeira do que um ano de conversa". ( Platão)

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  • Brincar…

    É por meio do brinquedo que a criança vai conhecer o mundo, trabalhar seus sentimentos de medo, alegria, tristeza, amor, ódio e descobrir, através de suas brincadeiras, a melhor forma de dominá-los.

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Objeto Transicional – Winnicott

Em Winnicott o conceito de objeto ou fenômeno transicional recebe três usos diferentes: um processo evolutivo, como etapa do desenvolvimento; vinculada às angústias de separação e às defesas contra elas; representando um espaço dentro da mente do indivíduo. Ele propõe ainda que em determinadas condições, o fenômeno ou objeto transicional pode ter uma evolução patológica, ou mesmo se associar a certas condições anormais.

objeto transicional é algo que não está definitivamente nem dentro nem fora da criança; servirá para que o sujeito possa experimentar com essas situações, e para ir demarcando seus próprios limites mentais em relação ao externo e ao interno. Bleichmar e Bleichmar (1992) dizem que o objeto transicional está situado em uma zona intermediária, na qual a criança se exercita na experimentação com objetos, mesmo que estejam fora, sente como parte de si mesma.

Para explicar a constituição do objeto transicional, Winnicott remonta ao primeiro vínculo da criança com o mundo externo, a relação com o seio materno. No princípio, a criança tem uma ilusão de onipotência, vivenciando o seio como sendo parte do seu próprio corpo. Mas, uma vez alcançada esta onipotência ilusória, a mãe deve idealmente, ir desiludindo a criança, pouco a pouco, fazendo com que o bebê adquira a noção de que o seio é uma “possessão”, no sentido de um objeto, mas que não é ele (“pertence-me, mas não sou eu”).
objeto transicional ocupa para um lugar que Winnicott chama de ilusão. Ao contrario do seio, que não está disponível constantemente, o objeto transicional é conservado pela criança. Ela é quem decide a distância entre ela e tal objeto. Como os fenômenos transacionais “representam” a mãe é essencial que ela seja vivenciado como um objeto bom. Bleichmar e Bleichamar (1992) relatam que, quando dentro da criança, o objeto materno está danificado, é pouco provável que ela recorra, de maneira constante, a um fenômeno transicional.

Winnicott aponta algumas características que são comuns aos objetos transicionais: a criança afirma uma série de direitos sobre o objeto; o objeto é afetuosamente ninado e excitadamente amado e mutilado; deve sobreviver ao ódio, ao amor, e à agressão. É muito importante que o objeto sobreviva à agressão, possibilitando a criança neutraliza-la, dando-lhe, posteriormente, um fim construtivo, ao notar que esta não destrói os objetos.

A ligação e o afastamento do objeto transicional deixa em cada sujeito uma marca: fica na mente do indivíduo um espaço que, assim como o objeto transicional, é intermediário entre o interno e o externo. É nesse espaço que se produz muitas das atividades criativas do homem, como as artes, a musica, etc. que “representam” o mundo interno para o exterior e, em certo sentido, “representa” a realidade para si mesmo.

Os objetos: paninhos, ursinhos, cobertores,brinquedos de pano e chupetas passam a exercer  um papel simbólico  para os nossos pequenos, representam a figura materna. Esses objetos tem a funcionalidade de  amor e aconchego, promovendo a segurança para as crianças. 

Fonte:http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/winnicott-principais-conceitos

A MÚSICA E O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

A presença da música na vida dos seres humanos é incontestável. Ela tem acompanhado a história da humanidade, ao longo dos tempos, exercendo as mais diferentes funções. Está presente em todas as regiões do globo, em todas as culturas, em todas as épocas: ou seja, a música é uma linguagem universal, que ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço.

            Entretanto, a forma pela qual a música, como linguagem, acontece no seio dos diferentes grupos sociais é bastante diversificada. A música que é vivenciada em uma cerimônia do Quarup, no Parque do Xingu, por exemplo, tem um caráter bastante diverso da música que colocamos no CD player do nosso carro; o mantra entoado em um templo budista, por sua vez, não apresenta a mesma função de um canto de lavadeiras do Rio São Francisco. Apesar dessas diferentes funções, em todas essas situações e em muitas outras, a música acompanha os seres humanos em praticamente todos os momentos de sua trajetória neste planeta. E, particularmente nos tempos atuais, deve ser vista como uma das mais importantes formas de comunicação: segundo o pedagogo Snyders (1992), nunca uma geração viveu tão intensamente a música como as atuais.

            É exatamente para falarmos de uma das facetas dessa intensa relação que trata o texto. Será abordada, particularmente, a relação que se dá entre a música, entendida como prática e vivência, e o desenvolvimento da criança.

Inicialmente é preciso esclarecer nosso conceito de desenvolvimento. Desenvolvimento, segundo o dicionário Houaiss, é um termo que apresenta muitas acepções. Escolhemos algumas delas: “aumento de qualidades morais, psicológicas, intelectuais etc”, “crescimento, progresso, adiantamento” (HOUAISS, 2002, p. 989). No entanto, há uma tendência, em nossa civilização, de se concentrar a idéia de desenvolvimento da criança nos aspectos cognitivos, isto é, no que diz respeito ao aprendizado intelectual. É uma tendência natural em uma civilização tão competitiva e tecnicista. Em função disso, muito se tem falado a respeito do papel da música na melhoria do rendimento acadêmico de estudantes.

             Nossa opção, contudo, vai pela contramão desta tendência. Entendemos que o processo de crescimento de uma criança está muito além apenas de seus aspectos físicos ou intelectuais; esse processo envolve outras questões, certamente tão complexas quanto às da maturação biológica. Dessa forma, optamos por trabalhar a idéia de desenvolvimento infantil a partir de uma abordagem mais ampla, abarcando também seus aspectos de amadurecimento afetivo e social, sem deixar de lado, obviamente, o aspecto cognitivo.

É importante fazer uma ressalva que toda criança está imersa em um caldo cultural, que é formado não só pela sua família, mas também por todo o grupo social no qual ela cresce.  Nesse sentido, a forma como a música influencia o desenvolvimento de uma criança carajá, por exemplo, é muito diferente da forma como isso se dá com uma criança branca; da mesma forma, uma criança de classe média alta, que freqüenta ambientes nos quais a música é praticada de forma intensa, apresenta características bem diversas de uma criança que se vê vítima da exploração do trabalho infantil.

 Obviamente nosso foco não será o de uma criança especial, de algum grupo social específico. Nossas observações levarão em consideração as pesquisas feitas na área que, na sua grande maioria tiverem como sujeitos crianças ocidentais, escolarizadas, de inteligência dita normal. Ainda que não concordemos com a idéia de um modelo de criança universal, entendemos que estas pesquisas, guardadas as devidas proporções, podem nos elucidar em muitos aspectos.

Nesse sentido, entendemos que as reflexões a serem apresentadas neste artigo, a partir de um referencial específico, podem nos auxiliar a compreendermos melhor a relação criança-música-desenvolvimento, ressaltando que as particularidades de cada grupo social merecem ser investigadas com afinco, em outros momentos, por outros autores.

A música e o desenvolvimento cognitivo da criança

            Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

            Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor (apud SHARON, 2000). Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Platão já afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?

Outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também são bastante intensos.

Ao mesmo tempo que a música possibilita essa diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978).

            Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio lógico-matemático. Segundo Schaw, Irvine e Rauscher (apud CAVALCANTE, 2004) pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15 a 41% superiores em testes de proporções e frações do que os de outras crianças. Em outra investigação, Schaw verificou que alunos de 2a. série que faziam aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram desempenho superior em matemática aos alunos de 4 ª série que não estudavam música.

            Enfim, o que se pode concluir a esse respeito é que efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.

A música e o desenvolvimento afetivo

            Um outro campo de desenvolvimento é o que lida com a afetividade humana. Muitas vezes menosprezado por nossa sociedade tecnicista, é nele que os efeitos da prática musical se mostram mais claros, independendo de pesquisas e experimentos. Todos nós que lidamos com crianças percebemos isso. O que tem mudado é que agora estes efeitos têm sido estudados cientificamente também.

            Em pesquisa realizada na Universidade de Toronto, Sandra Trehub (apud CAVALCANTE, 2004) comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.

       Nossas avós também já sabiam que colocar um bebê do lado esquerdo, junto ao peito, o deixa mais calmo. A explicação científica é que nessa posição ele sente as batidas do coração de quem o está segurando, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da mãe. Além disso, a eficácia das canções de ninar é prova de que música e afeto se unem em uma mágica alquimia para a criança. Muitas vezes, mesmo já adultos, nossas melhores lembranças de situação de acolhimento e carinho dizem respeito às nossas memórias musicais. Já presenciamos vivências em grupos de professores que, a princípio, não apresentavam memórias de sua primeira infância. Ao ouvirem certos acalantos, contudo, emocionaram-se e passaram a relatar situações acontecidas há muito tempo, depois confirmadas por suas mães.

            Por todas essas razões, a linguagem musical tem sido apontada como uma das áreas de conhecimentos mais importantes a serem trabalhadas na Educação Infantil, ao lado da linguagem oral e escrita, do movimento, das artes visuais, da matemática e das ciências humanas e naturais. Em países com mais tradição que o Brasil no campo da educação da criança pequena, a música recebe destaque nos currículos, como é o caso do Japão e dos países nórdicos. Nesses países, o educador tem, na sua graduação profissional, um espaço considerável dedicado à sua formação musical, inclusive com a prática de um instrumento, além do aprendizado de um grande número de canções. Este é, por sinal, um grande entrave para nós: o espaço destinado à música em grande parte dos currículos de formação de professores é ainda incipiente, quando existe. É preciso investir significativamente na formação estética (e musical, particularmente) de nossos professores, se realmente quisermos obter melhores resultados na educação básica.

            Ainda abordando os efeitos da música no campo afetivo, estudos recentes ampliam ainda mais nosso conhecimento a respeito. Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Blood, do Massachusetts General Hospital (EUA), desenvolveram uma pesquisa que buscou analisar os efeitos no cérebro de pessoas que ouviam músicas, as quais segundo as mesmas lhes causavam profunda emoção. Verificou-se que ao ouvir estas músicas, as pessoas acionaram exatamente as mesmas partes do cérebro que têm relação com estados de euforia. Segundo esses autores, isso confere à música uma grande relevância biológica, relacionando-a aos circuitos cerebrais ligados ao prazer (2001).

Há também inúmeras experiências na área de saúde, trabalhos em hospitais que utilizam a música como elemento fundamental para o controle da ansiedade dos pacientes. A origem deste trabalho remonta à 2a. Guerra Mundial, quando músicos foram contratados para auxiliar na recuperação de veteranos de guerra por hospitais norte-americanos. Pode-se afirmar que esse foi um grande impulso para a área de musicoterapia, hoje com reconhecimento acadêmico consolidado. É cada vez mais comum a presença da música nestes locais, seja para diminuir a sensação de dor em pacientes depois de uma cirurgia, junto a mulheres em trabalho de parto (para estimular as contrações) ou na estimulação de pacientes com dano cerebral. Nesse sentido, não é exagero afirmar que os efeitos da música sobre os sentimentos humanos estão, cada vez mais, migrando da sabedoria popular para o reconhecimento científico.

A música e o desenvolvimento social da criança

            A música também traz efeitos muito significativos no campo da maturação social da criança. É por meio do repertório musical que nos iniciamos como membros de determinado grupo social. Por exemplo: os acalantos ouvidos por um bebê no Brasil não são os mesmos ouvidos por um bebê nascido na Islândia; da mesma forma, as brincadeiras, as adivinhas, as canções, as parlendas que dizem respeito à nossa realidade nos inserem na nossa cultura.

            Além disso, a música também é importante do ponto de vista da maturação individual, isto é, do aprendizado das regras sociais por parte da criança. Quando uma criança brinca de roda, por exemplo, ela tem a oportunidade de vivenciar, de forma lúdica,  situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida, de afirmação. Fanny Abramovich, em memorável artigo, afirma:

Ò ciranda –cirandinha, vamos todos cirandar, uma volta, meia volta, volta e meia vamos dar, quem não se lembra de quando era pequenino, de ter dados as mãos pra muitas outras crianças, ter formado uma imensa roda e ter brincado, cantado e dançado por horas? Quem pode esquecer a hora do recreio na escola, do chamado da turma da rua ou do prédio, pra cantarolar a Teresinha de Jesus, aquela que de uma queda foi ao chão e que acudiram três cavalheiros, todos eles com chapéu na mão? E a briga pra saber quem seria o pai, o irmão e o terceiro, aquele pra quem a disputada e amada Teresinha daria, afinal, a sua mão? E aquela emoção gostosa, aquele arrepio que dava em todos, quando no centro da roda, a menina cantava: “sozinha eu não fico, nem hei de ficar, porque quero o …(Sérgio? Paulo? Fernando? Alfredo?) para ser meu par”. E aí, apontando o eleito, ele vinha ao meio pra dançar junto com aquela que o havia escolhido… Quanta declaração de amor, quanto ciuminho, quanta inveja, passava na cabeça de todos.

(1985, p. 59).

Essas cantigas e muitas outras que nos foram transmitidas oralmente, através de inúmeras gerações, são formas inteligentes que a sabedoria humana inventou para nos prepararmos para a vida adulta. Tratam de temas tão complexos e belos, falam de amor, de disputa, de trabalho, de tristezas e de tudo que a criança enfrentará no futuro, queiram seus pais ou não. São experiências de vida que nem o mais sofisticado brinquedo eletrônico pode proporcionar.

Mais tarde, já às voltas com as dores e as delícias do adolescer, ainda uma vez a música tem papel de destaque. Sem sombra de dúvida, a música é uma das formas de comunicação mais presente na vida dos jovens. Inúmeras vezes, é por meio da canção que temáticas importantes na inserção social desse jovem, não mais como criança, mas agora como preparação para a vida adulta, lhe são apresentadas. Como exemplo, temos os videoclipes que apresentam a jovens de classe média a dura realidade do racismo, da vida nas periferias urbanas e que podem ser utilizados por pais e educadores como forma de estabelecer um diálogo, uma porta para a construção da consciência cívica.

            À guisa de conclusão, faremos agora uma breve reflexão sobre como podem os pais e adultos que se incumbem da educação de crianças agir em relação à sua formação musical. Comecemos, portanto, do útero. Como já foi dito, fetos reagem a estímulos sonoros externos e, portanto, deve ser benéfico que a mãe possa, ela mesma, desenvolver atividades musicais. Se você teve a oportunidade de aprender um instrumento musical, pratique-o muito durante a gravidez. Caso não seja esse o seu caso, cante bastante, pois esse instrumento – a voz – está bem aí ao seu alcance: utilize-o, entre para um coral, aprenda cantigas de ninar,  cante no banheiro!

            Além de cantar, ouça também boa música. Aproveite esse período para ficar a par de boas produções musicais para criança. Muitos pais reclamam, com razão, do lixo musical que infesta os grandes meios de comunicação. Contudo, há um razoável número de CDs de boa qualidade, voltado para o público infantil, como por exemplo, toda a obra de Bia Bedran, a Coleção Palavra Cantada, entre outros. Vale a pena buscar aqueles discos de vinil que fizeram sua alegria quando pequena (Saltimbancos, Arca de Noé, Coleção Disquinho), pois a maior parte deles já se encontra remasterizada para CD. Se você se dispuser a formar um pequeno acervo, não se preocupe com o lixo que seu filho ouvirá lá fora: oferecendo outras alternativas, dentro de casa, certamente ele terá meios para uma escolha mais crítica.

            Mais tarde, depois do nascimento, faça dos momentos junto ao bebê momentos de puro prazer: cante enquanto lhe dá banho, faça brincadeiras ritmadas na troca de fralda, toque seu corpo ao ritmo da canção. E, principalmente, não abra mão das cantigas de ninar. Esqueça a conversa de que isso “põe a criança mimada”: atualmente, pediatras são unânimes em estimular esse contato. Lembre-se: criança quieta, que dorme sozinha, que não reclama companhia, nem sempre é sinônimo de criança feliz. Muitas vezes, o bebê super independente de agora, poderá vir a ser o adulto carente de amanhã.

            Caso você sinta necessidade, procure serviços especializados na musicalização de bebês. Busque informações sobre os profissionais envolvidos, assista a algumas aulas, certifique-se do tipo de trabalho desenvolvido. Mas lembre-se: não busque por aceleração de aprendizagem, pela formação precoce de virtuoses. Tenha em foco apenas a possibilidade de momentos prazerosos e estimulantes para seu bebê. Todo o resto, que poderá vir a acontecer ou não, será lucro.

            Mais tarde, por volta dos quatro, cinco anos, é comum os pais se perguntarem se não estará na hora de aprender um instrumento. É importante saber que o processo de musicalização deve anteceder o aprendizado de um instrumento específico. Em geral, as boas escolas de música desenvolvem um trabalho anterior, de vivência e sensibilização musical, para depois, quando a criança já se encontra alfabetizada, iniciar as aulas de instrumento e de leitura musical. Se esse for o seu interesse, vá em frente; caso não o seja, insista para que na escola de seu filho a música tenha espaço no currículo. Esse espaço não significa necessariamente uma aula específica de música: no caso da educação infantil, essa fragmentação do trabalho pedagógico nem é a mais indicada pelas tendências educativas mais sólidas. Esse espaço pode ser concretizado mesmo nas atividades de rotina, no repertório utilizado, nas brincadeiras musicais, na freqüência a eventos promovidos pela escola. Por outro lado, a presença de um professor especialista, um licenciado em música, pode potencializar um trabalho de qualidade, na parceria com os demais educadores: o importante é que esse trabalho não seja artificial, isolado do projeto pedagógico como um todo.

            Por fim, dois lembretes: 1) todas essas atividades e preocupações, desde os embalos para ninar até a verificação do trabalho musical da escola são da responsabilidade de mães e pais, sem exceção; 2) não descuide do repertório. Isso pode parecer difícil, mas tente utilizar a mesma tática da boa alimentação: um fast food, de vez em quando, não faz mal a ninguém, desde que a nutrição básica seja feita por meio de uma dieta balanceada, rica em verduras, frutas, cereais e proteínas. Da mesma forma, os malefícios de se ouvir música descartável na TV podem ser minimizados se, em casa, você “nutrir” os ouvidos e cérebros de seus filhos com música rica, estimulante e de boa qualidade

Monique Andries Nogueira - Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo – USP. Profª. Adjunta da Faculdade de Educação da UFG.  

Fonte:http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/G_musica.html

Maturação Neuropsicológica

Quando nascemos, centenas de bilhões de neurônios já encontram-se disponíveis aos processos cognitivos essenciais de relações do ser com os meios. Esses neurônios, nos primeiros anos de vida, integram conexões, redes psicomaturacionas, permitindo que as células nervosas enviem e recebam sinais. Isto é possível devido as sinapses, responsáveis diretamente pelas transmissões das informações entre diferentes células. Rapidamente, dessa centena de bilhões de células nervosas, neurônios, obtém-se centenas de trilhões de ligações sinápticas. São as grandes redes sinápticas psicomaturacionais, interligando pontos cada vez mais distantes e afinando todo o sistema neuronal.

Em uma primeira fase, se observa sinapses em profusão, distribuídas uniformemente. A sincronicidade, cada vez mais, é aperfeiçoada. Estímulos externos desencadeiam reações em esforços conjuntos dos neurônios. Quanto mais reforçam os estímulos, maior tornam-se as ligações sinápticas originalmente formadas, e maior serão suas durações. Os processos de aprendizado favorecem a plasticidade cerebral. Pode-se mesmo dizer, que os processos de aprendizado dão forma e determinam as interligações em redes sinápticas, modelando os caminhos do cérebro. As mais percorridas reforçam-se e expandem-se, enquanto àquelas em desuso, são enfraquecidas, e dependendo do grau de inatividade, poderão se dissolver. 

Para cada novo aprendizado formam-se novas redes conectivas, alternando-se em expansão e número de ligações.

As primeiras sílabas, palavras e frases, são diretamente demonstrações cognitivas equivalentes e proporcionais aos intermináveis números de ligações em rede das células nervosas.

O desenvolvimento e expansão das redes neuromaturacionais, são responsáveis diretamente pela elevação da capacidade cognitva. As capacidades cognitivas são dependentes da expansão e consolidação neuromaturacional.

Da mesma forma como internamente se evidência a interdependência cognição/neuromaturação, também no processo ensino aprendizagem pode-se interligar didática/neurociências.

Quanto maior e mais profundo for o conhecimento dos processos orgânicos, e entre eles o neurológico, fisiológico e psicológico do ser, mais apurada e abrangente será a abordagem didática-pedagógica, facilitando e desfazendo os entraves à apreensão do saber. Quanto mais ciências envolvam-se com a educação, dedicando-lhe atenção e estratégias, sobretudo ao processo ensino/aprendizagem, maiores facilidades tomarão as redes de difusão do conhecimento. O vendedor que bem conhece seu cliente, maior facilidade terá na oferta de seus produtos e serviços.

Do mesmo modo, o professor que conhecer as profundezas do ser, com todas as complexidades que o envolvem, maior facilidade e êxito terá na escolha, adaptação e disposição dos conteúdos a oferecer em crescimento e evolução do educando. A técnica, a didática e os recursos a serem empregados, mais personalizadas serão à medida em que mais soubermos sobre nossos alunos.

Ao aprofundarmos conhecimentos às bases neurocientificas do desenvolvimento humano e aprendizagem, descobrimos elementarmente que:

- maior o reforço, maiores caminhos à cognição se formam;

- menor o reforço, mais fracos e frágeis tornam-se os caminhos à cognição;

- maior a variedade e estímulos à cognição, maiores facilidades à interiorização, formação e ou expansão de redes sinápticas e memorização prolongada. 

- maior a variedade e estímulos, mais aumentam e expandem-se as bases neuromaturacionais à cognição. Sendo inverso na falta de variedade dos estímulos.

Dessas premissas básicas, reforçamos a necessidade em se oferecer ao ser em formação, o maior número de experiências possíveis ao desenvolvimento das redes neuromaturacionais, bases de todo o seu potencial de aprendizado.
As redes sinápticas expandem-se à medida não só em que são bombardeadas por novas informações. Ocorre também, através de processo espontâneo maturacional. No entanto, se não estimuladas, permanecem como uma conta bancária com saldo zero, e com o passar do tempo, sem movimento, será encerrada. Para reabri-la, necessitara de todo um esforço extra. Sobretudo, capital (idéias, pensamentos, experiências, desafios, conhecimentos…) à mantê-la ativa e operante. Rapidamente com sua movimentação, créditos extras são ofertados, novas interligações se formam, aumentando seu potencial realizador.

Em nossas pesquisas, as redes sinápticas formam-se, desde o nascimento até a terceira idade. Trilhões são as conexões, mas para o fim acadêmico, delimitamos em onze as GRS (Grandes Redes Sinápticas). A interação constante com o mundo exterior é base ao pleno desenvolvimento de um cérebro sadio, também dependente da alimentação e condições gerais de saúde.

Reforçamos a imperiosidade da estimulação variada e nos anos iniciais do ser a neuromaturação ideal aos processos cognitivos de excelência ao desenvolvimento integral de um cérebro ativo em toda sua complexidade. Isto ocorrera, dentro de uma visão de normalidade, à medida em que um maior número de sinapses sejam estimuladas.
As estruturas básicas do cérebro e de todo o sistema orgânico, ao nascer, contam com o aporte genético. Cabe a família, escola e Estado, oferecer estímulos extras a ampliação e enriquecimento dos sistemas elementares. Desde a apuração da sensibilidade tátil, visão, audição e habilidades psicomotrizes, aos engenhosos sistemas tecnológicos e seus domínios. As faculdades cognitivas, habilidades e vias relacionais, são dependentes de estímulos externos ao seu desenvolvimento.
Quanto maior os estímulos dos meios e mais variada a multiplicidade de experiências vividas pelo ser em formação, maior se fará seu acervo à resolução de problemas e possibilidades a compreensão do novo. Ainda, maiores serão suas alternativas rearranjacionais e adaptação de variáveis à definição, delimitação e alcance de objetivos.
Idealisticamente, a pedagogia evita o direcionamento da aprendizagem, senão apenas o desenvolvimento de potenciais em forma da apuração das habilidades intrínsecas às bases funcionais do ser até aproximadamente os dez anos. Contudo, cientificamente, observa-se a necessidade de um novo olhar curricular. Sobretudo nas series iniciais. Isto, pela premissa de encontrar-se nesse intervalo, 3 a 10 anos, as maiores facilidades à expansão estimulada das redes sinápticas. Estas, se conscientemente bem aproveitadas em direcionamento, garantem uma possibilidade de lastro neural de maior suporte às conexões subseqüentes, sistêmica e didaticamente graduadas pela oferta contínua de novos conhecimentos.
Se não formos capazes de oferecer o ideal socialmente convencionado às nossas criações, sob a alegação de que não estão preparadas ou que são incapazes; ou mesmo para não sobrecarrega-las, o mundo, através da TV, radio e amiguinhos, imporá, sem a devida e consistente réplica, suas leis e valores.
Todos os estímulos que chegam ao cérebro, são codificados, ganham valor e peso. Passam a pulsar, têm latência; evidenciam-se em um quantum de tensão. Seus limiares paradigmáticos obedecem a um grau de certeza proporcional a assertiva de sua conceituação em proporcionalidade à experiência correlacional de sua validação. O mesmo ocorrendo na aquisição conceitual refutativa.
Se o juízo conceitual for inverso a experimentação prática, firmar-se-á a segunda, por força da ação, do objeto, da reação física sobre os sentidos, da plasticidade neural áxio-catéxica. O conceito meramente expresso perde em significado ao juízo da experiência, sendo assim refutado. Mantendo-se apenas em condições idealísticas reconstrutivas ou transformadoras do ser e das sociedades, seus paradigmas e futuro. Nesse tocante, inclusive, se forma uma resistência natural confrontativa entre os seres com suas realidades. Contudo, sustentadas por realidades outras de suas observações.
Todo o objeto ou conceito, externo ao ser, conta com um valor axiologicamente interiorizado em forma de valor catéxico correspondente àquele, segundo as variáveis do momento de sua codificação. Os neurônios associativos, contarão com esse código, sob àquelas premissas originais par os correlacionar e ou confrontar, com os futuros conceitos, novos ou de expansão.
A toda nova informação, as bases neuronais serão consultadas, e as respostas serão deflagradas segundo os limiares de tensão evocados pelas bases originais de correspondência ou de desencontros com os estímulos excitatórios de confrontação. Esta confrontação se dá no córtex. Os sinais advindos de outras regiões (do exterior) são por ele recebidas e analisadas em toda a sua extensão antes de uma resposta.
Dessa assertiva neuroconsciente reforça-se originalmente o banco de dados, cerebral, das crianças em seus anos iniciais, facilitando-lhes em autonomia neuronal à evolução sob bases sólidas e conscientes advindas de uma sociedade cientificamente madura para educar. Isto em teoria. Praticamente imatura.
O sistema límbico, responsável pela memória, facilmente codifica todas as impressões advindas dos meios externos. Códigos e mais códigos são catexizados nos primeiros meses e anos de vida.
A preexistência de dados catexizados, facilita sobre determinado conjunto de conhecimentos, sua paradigmaximização. Quanto maior as bases, maior serão suas possibilidades.
Simplificadamente o processo de neuro-aprendizagem se faz de forma retroalimentativa; – os elos cognitivos através das redes sinápticas, expandem-se e mais aperfeiçoam-se quanto mais informações recebem sobre um determinado segmento de conhecimentos, demonstrando mais domínio à medida em que mais informações recebe.
Em experiência com ratos, observou-se que àqueles com maiores contatos com objetos, como bolas, escorregadores… têm suas redes sinápticas aumentadas em relação àqueles de experiências pobres. Também, na Alemanha, em Magdeburg – Centro de Pesquisa do Aprendizado e da Memória, observou-se o aumento auto-gratificativo do neurotransmissor dopamina, sempre que o roedor conseguia executar corretamente uma ação em forma de tarefa. Isto foi observado no córtex pré-frontal dos roedores. A dopamina é responsável pelo sentimento de felicidade. Assim, até mesmo os animais compartilham conosco desse sentimento.
Sempre que ampliamos o banco de dados de um determinado conjunto, acetilcolina e dopamina são liberadas em maior quantidade estimulando-nos a busca de mais informações. Paralelamente, amplia-se a sensação de satisfação interna. Logo, direcionarmos nossos alunos às portas de seus interesses, lhes facilita a expansão naturalmente estimulada de auto-busca, realização e aprendizagem.
As emoções têm papel ímpar na ampliação da memória. O sistema límbico (passagem obrigatória de sinais captados pelos sentidos) departamentaliza as emoções, enviando os sinais para seus semelhantes de prazer, frustração, felicidade, medo, alegria, raiva, tristeza…tornando-nos esse ser de tantas emoções, variando em intensidade e expansão (base de realizações pessoais e também da ansiedade (hipertensão, Sist. 150; Diást. 100), depressão, pânico (FCC elevada).
Podemos mesmo afirmar que o Sistema Límbico desempenha parte do que denominamos consciência. Contudo, sua consciência é inconsciente ao ser e se manifesta em forma de reação imediata. Pouco ou nenhuma interferência consciente exercemos sobre algumas análises por ele processadas, como àquelas de reflexo, fechar os olhos e recolher a perna em situações de perigo.

Observamos emoções como bases do aprendizado pelos estímulos eletroquímicos envolvidos no processo ensino-aprendizagem, com natural expansão psicomaturacional a partir do fortalecimento e neuroexpansão das redes sinápticas, frente aos sentimento de plenitude e felicidade (liberação de acetilcolina e dopamina) quando da consecução de atividades e aquisição de novos conhecimentos que formam elos com àqueles já depositados (codificados).
Os conteúdos, conhecimentos e saberes, experiências e vivencias, quando associados às emoções (aprovado pelo sistema límbico) depositam-se mais facilmente na memória onde, por força da impressão emocional, mantém-se por longos períodos, podendo perdurar por toda a vida).
Sob um mesmo matiz emocional, múltiplos conhecimentos a ele são vinculados. À medida em que forem interiorizados novos aprendizados àqueles das bases originais, preexistentes, servirão de lastro às novas interiorizações.
A roupagem emocional na transmissão de aprendizados encontra mais facilmente o caminho do sistema límbico e um lugar “limiar de tensão” mais privilegiado na memória, inclusive com maior disponibilidade de acesso quando solicitado.
Através do mal de Alzheimer, pode-se afirmar que as interligações de lembranças e sentimentos passam pelo sistema límbico. Pois, a lesão daquele sistema e determinante a instalação do distúrbio.
Assim, reforçamos a vinculação emocional ou aprendizado para que este se faça mais leve, duradouro e útil.
A roupagem emocional do conteúdo, ainda que o mesmo refira-se a fórmulas matemáticas, mas se, por exemplo, falarmos sobre a história e a dedicação de quem as gerou e ou a sua importância à resolução de um problema social, ou ainda de possibilitar o homem chegar a lua…estará, esta, investida do potencial elementar a instalar-se prazerosamente na memória. O ambiente, a possibilidade de atendimento fácil às necessidades fisiológicas, como água na própria sala, como também banheiros, luzes satisfatórias, utilização de tecnologias ou esforços de criatividade. Tudo contribui ao processo de neuroaprendizagem.
Os sentimentos, como vimos, são fundamentais aos estímulos da percepção e atenção. Um filme ou um conteúdo, quando com um toque emocional, conquista um espaço especial em nossos interiores, ganha a química de nosso ser.
Os conteúdos necessariamente precisam assumir um significado para que o sistema límbico os torne inesquecíveis. Com fim na memorização, é preciso que os conteúdos sejam colocados de forma a propiciar ao aluno, uma experiência pessoal.
A delimitação da atenção é determinada pelo nível de emoção, que por sua vez, motivarão em maior ou menor grau, pela própria quantidade de neurotransmissores envolvidos no processo, facilitando a memorização. A atenção deve ser dirigida a um elemento por vez. Isto compete ao professor o cuidado. Sobretudo, pela dificuldade de fixar-se a atenção em dois ou mais pontos simultaneamente.
O limiar de tensão de maior quantum com carga emocional mais intensa, pulsional, de maior freqüência e amplitude, sobrepor-se-á àqueles de menor significado pessoal. Sobretudo, se estiverem estes desprovidos de emoção. À memorização, àqueles de maiores emoções obterão maiores facilidades.
O fator tempo à assimilação deve ser considerado. Imediatamente ao despertar de interesses, tempo à concentração e aprofundamento deve ser destinado. Somente dessa forma, pode-se aspirar a interiorização consciente de conteúdos. Esgotar o conteúdo ou concluí-lo segmentarmente, também é de relevância ao sadio aprendizado. Isto, uma vez que somos sabedores da necessidade de um preparo prévio motivacional da rede neural, para aí inserirmos novos conteúdos e por fim propiciar em relaxamento e estabilização da rede.
Pode-se no entanto não encerrarmos corretamente o “computador”. Logo, ao reativá-lo, o sistema procederá uma varredura devido ao mau uso.
Ainda que, teoricamente, aponta-se uma prática ideal, somos sabedores que isto, encerrar corretamente as atividades, dificilmente acontece. 
Quando motivados, envolvidos por um interesse, há prazer. Logo, acetilcolina e dopamina elevam-se no organismo. O que dificulta encerrar a atividade. 

Memória de curta e longa duração

Todas as informações em primeira instância armazenam-se em um banco de curta duração. Esse “banco” são as próprias redes sinápticas. Porém, de sinais fracos. Com o tempo, sem reforço, vão desfazendo-se. Se ao contrário, forem reforçadas, quanto mais, maior sua duração. Se, como já dissemos, ligando-as às emoções, garantimos sua vaga por longo tempo na memória. Atenção, concentração e tempo são essenciais à interiorização consciente. Estabilização e enfraquecimento são dependentes destas variáveis. Excesso, não ordenado, de novas informações são prejudiciais à memorização, devido a sobreposição. Se sistematizados, exercitam, expandem e reforçam a memória.

Aprendizados intercalados com relaxamento, lazer e ou estímulos de outros seguimentos neuronais de conexão à sua memorização, como música, artes plásticas, teatro, atividades físicas, têm maior êxito em sua fixação duradoura.

Como já dissemos anteriormente, quanto mais variados forem os recursos didáticos utilizados, maior será o potencial ativado à memorização de longa duração. Isto, do ponto de vista neurológico, por haver um maior número de órgãos sensoriais envolvidos. Campos neuronais distintos. Vias descongestionadas, congruentes ao fim do aprendizado proposto. Os sinais elétricos chegarão através da visão, audição, tato, movimento, reflexão, gustação e olfato. Em cada um, formas, cores e sons podem variar, somando-se à memorização. 

A neurodidática propõe uma retroalimentação de conhecimentos diretamente proporcionais à capacidade neuromaturacional dos seres. Dessa forma, não há espaço às avaliações reprovativas. Os dons e talentos individuais se respeitados, maiores serão as perspectivas de desenvolvimento desse ser.
Condições pré-cognitivas genéticas facilitarão a cognição se ativadas através da oferta de conhecimentos. Sobretudo, se canalizados às disposições naturalmente herdadas – pré-existentes.
São potenciais latentes ao aprendizado, inerentes a todos os seres, prontos a aflorarem, desde que estimulados. Os potenciais são individuais, cada ser dispõe de uma gama personalizada de possibilidades, geneticamente franqueadas. Alem das “franquias”, poderá o ser, segundo suas vivencias, desenvolver novas frentes e potenciais.
Os objetos de maior interesse e satisfação das crianças, são caminhos ao seu pleno desenvolvimento.
As competências individuais, se unidas aos conteúdos de sua expansão, levam o ser ao limite de seus ideais. Certamente que regados, permeados com o conjunto dos demais saberes. Porém, com maior ênfase àqueles de suas naturais facilidades.
O processo de aprendizagem é dependente de um ambiente que ofereça segurança e um certo desafio ao ser.
Plasticidade cerebral 
A “simples” alfabetização auxilia na modelação das redes neurais cerebrais.

Pedagogia Neurocientífica

A Pedagogia Neurocientífica estuda a estrutura, desenvolvimento, evolução e funcionamento do sistema nervoso, interligando-o a biologia, neurologia, psicanálise, psicologia, matemática, física, química, filosofia, sob bases tecnológicas da oferta de conhecimentos ao aprendizado e evolução dos seres.

A UNESCO em 2005 colocou o Brasil em sétimo lugar entre os países de maior população analfabeta do mundo. O MEC também mostrou um número alarmante em relação ao analfabetismo. Aproximados 20% da população jovem brasileira, com idade entre 15 e 19 anos, não é alfabetizada.
Necessitamos bem utilizar-nos dos conhecimentos atuais das neurociências cognitivas para revertermos os índices supra demonstrados.
A música é um grande aliado do processo ensino-aprendizagem. Os estímulos, após ultrapassarem o ouvido médio, atingem a área de Broca e Wernicke. Estas, interligadas, respondem por parte significativa dos componentes da linguagem. Associando-se os conhecimentos com a música, despertamos o elemento emocional do sistema límbico, formado pelo hipocampo e hipotálamo, quando é liberado dopamina e serotonina no organismo, neurotransmissores de fundamental importância ao aprendizado com alegria e satisfação. Persistir em retornar ao caminho de prazer é natural.

Fonte: http://simaia.blogspot.com/2011/02/maturacao-neuropsicologica.html

Prof. Dr. Mário Carabajal – Ph.D. (Mário Roberto Carabajal Lopes)
Outro Livro do autor disponível na íntegra para leitura: http://www.academialetrasbrasil.org.br/psicopedagointervencao.htm

Livro: DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E APRENDIZAGEM

Feliz Natal

Festa de Natal 2011 – Sítio do Picapau Amarelo

Gostaria de agradecer o apoio e confiança da nossa diretora Marisa Sella, a coordenadora Anelise, a equipe pedagógica (professoras e ADIs) , a equipe terapêutica e a equipe de servições gerais pelo apoio e pela realização dos ensaios. Também não posso deixar de citar a Patricia e o Delcio pela linda decoração, a equipe de teatro pela belíssima atuação e em especial, a equipe Lekotek ( Elaine, Delcio e Carol). Sem a participação de cada um a nossa festa não seria completa. Obrigada a todos!

Nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos”

Coordenação Lekotek – Thaisa 

Agradecemos a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR ,setor de eventos pela disponibilidade do auditório. Obrigada!

Equipe AMCIP – Manhã 

   Marisa Sella – Abertura da festa 

Equipe AMCIP -tarde 

Equipe Teatro

Não poderia deixar de agradecer a nossa equipe de alta costura, de fazer inveja até mesmo aos melhores figurinistas. Abrigada mamães  pela confecção dos uniformes para apresentação deste ano. Vocês são 10!

Agradecimento especial as pessoas que fizeram as vezes do papai noel e nos doaram todos os presentes de natal que foram entregues aos nossos pequenos. Diz a sabedoria popular que ganha mais que dá do que quem recebe. Esperamos que essas palavras realmente se cumpram na vida de vocês. Tenham a certeza de que fizeram o Natal de muitas crianças ser inesquecível. Em nome de toda equipe AMCIP, muito obrigada.

Cartinha para os funcionários da Empresa Correios

O papai Noel recebeu as cartinhas, presentes da equipe dos Correios, agradecimento especial a Kelly e Marcia. 

Obrigada  aos Servidores do Ministério da Agricultura  por fazer o Natal das crianças mais feliz. Agradecimento especial a Heloisa Montrucchio. 

Agradecemos  as famílias da  Pré Escola e Berçário Global que doaram lindos  brinquedos . Agradecimento especial a diretora Elizete. Obrigada pelo carinho e apoio.  

Agradecimento especial:

Carla  Sumocoski, Cristiane Ribas ( doação da Maçonaria), Diana, Rafaela Almeida, Maria da Graça de Oliveira Souza, Carla Ceni,Flavio Pergher Valdirene, Paulete, Elaine, Luciane Felix, Jaime Felix e Mecânicos da Trip, Patricia Tomaz e Patricia Steinberg.  Obrigada pela doação! 

Preparem-se para mergulhar no maravilhoso mundo de faz de conta criado por Monteiro Lobato. Vamos lembrar de nossa infância, onde um peralta saci aprontava das suas, uma boneca tagarela falava mais do que uma vitrola, um sábio sabugo de milho andava por ai com seus livros embaixo do braço e uma vóvó bondosa preparava os mais saborosos quitutes. Preparem-se para entrar nesse sítio, o sítio do picapau amarelo da AMCIP. 

Convite: Festa de Natal 2011 AMCIP

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Achei  interessante esse artigo eu vou publicar para vocês/Thaisa Garais – Coordenação 

Texto escrito por: Fga Vera Lucia de Siqueira Mietto
CFFª 3026

Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de
aprendizagem é sem duvida, uma revolução para o meio educacional. A
Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro
aprende. É o entendimento de como as redes neurais são estabelecidas no
momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao
cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a
essas informações armazenadas.
Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos falando em
processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem
novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais
é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos
estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde
passam os estímulos), tornado-as mais “intensas”. A cada estimulo novo, a cada
repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos
que processam as informações, que deverão ser então consolidadas.
A neurociência nos vem descortinar o que antes desconhecíamos sobre o
momento da aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é
matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem
sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e
interage com o outro. Mais qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o
aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente?
Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a
importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os
mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita,
poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças
com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo préArtigo
escrito pela fonoaudióloga Vera Lúcia de Siqueira Mietto, devendo ser utilizado apenas como parâmetro de estudo.
Os créditos e a revisão textual são de responsabilidade da autora.
frontal é hoje fundamental na educação assim como compreender as vias e rotas
que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais
especifica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando
outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. Como
não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado á percepção e
identificações dos sons onde os reconhece por completo? (área temporal verbal que
produz os sons para que possamos fonar as letras). Não esquecendo a região
occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos
assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e
se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e
especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender.
Podemos compreender, desta forma que o uso de estratégias adequadas em
um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará consequentemente,
alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o
funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados
extremamente satisfatórios. .
Estudos na área neurocientífica, centrados no manejo do aluno em sala de
aula vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas
funcionam de forma inter relacionada. Assim, podemos entender, por exemplo, como
é valioso aliar a musica e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade
de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até
mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações).
Os games (adorados pelas crianças e adolescentes) ainda em discussão no
âmbito acadêmico são fantásticos na sua forma de manter nossos alunos plugados
e podem ser mais uma ferramenta facilitadora, pois possibilita estimular o raciocínio
lógico, a atenção, a concentração, os conceitos matemáticos e através de
cruzadinhas e caça-palavras interativos, desenvolver a ortografia de forma
desafiadora e prazerosa para os alunos. Vários sites na internet nos disponibilizam
esses jogos.
Artigo escrito pela fonoaudióloga Vera Lúcia de Siqueira Mietto, devendo ser utilizado apenas como parâmetro de estudo.
Os créditos e a revisão textual são de responsabilidade da autora.
Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que
‘facilite’ esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem
que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno
lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da
modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na
formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais
adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador
no processo ensino – aprendizagem.
Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades
prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais
facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais
facilidade.
Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar
nesse “fortalecimento neural”?Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica
tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto,
onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante,
questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber, o deixam “literalmente
ligado”, plugado, antenado.
O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha
uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico
e flexível, plugado em uma era informatizada aonde a cada momento novas
informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem
ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber,
construindo juntos a aprendizagem.
Uma aula enriquecida com esses pré- requisitos é mágica, envolvente e
dinâmica. É saber fazer uso de uma estratégia assertiva onde conhecimentos
neurocientíficos e educação caminham lado a lado. 

Fonte: http://www.ceitec.com.br/artigos/a-importancia-da-neurociencia-na-aprendizagem.pdf

Entrevista Marisa Sella – Wii Reabilitação AMCIP

A empreendedora social Marisa Sella fala sobre a importância do Wii para reabilitação de crianças com deficiências. 

 

REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE COORDENAÇÃO MOTORA FINA E DESTREZA

Certifique-se de que a criança esteja posicionada apropriadamente na carteira para começar qualquer trabalho. Certifique-se de que os pés da criança estejam totalmente apoiados no chão; que a carteira tenha altura apropriada e que os antebraços estejam confortavelmente apoiados sobre a mesma.

Tente traçar metas realistas e de curto prazo. Isso vai garantir que, tanto a criança como a professora, continuem motivados.

Tente dar um tempo extra para que a criança complete atividades motoras finas. Se há necessidade de velocidade, esteja disposta a aceitar um produto de menor qualidade.

 

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ESTIMULAR A COORDENAÇÃO MOTORA FINA E DESTREZA

 

  • Massinha: fazer bolinhas, rolinhos, moldes de massinha, escrever com palito sobre a massinha, abrir a massa com um rolo de pastel.
  • Rasgar jornal e embolar
  • Brincadeiras na areia (balde, pá, regador)
  • Desenho livre
  • Colorir
  • Colagem (cereais, palitinhos, tecidos, papel crepom)
  • Liga-pontos
  • Tracinhos
  • Labirinto
  • Encaixe, empilhar e montar.
  • Alinhavo
  • Folhear livrinhos e revistas
  • Carimbos
  • Lousa (quadro em fórmica)
  • Brincadeiras com bolas (basquete, acertar no cesto, boliche, bola ao cesto)

 

Carolina Raquel Rabitto

Terapeuta ocupacional

CREFITO 11656-TO

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